Artes

Quinta-feira, Setembro 06, 2007

Estou...

...além.

Quinta-feira, Junho 07, 2007

Descoberta musical - The Cesarians

A internet e o meu novo trabalho de vasculhador da programação de bares levam-me a fazer algumas descobertas. A melhor dos últimos tempos vem do Reino Unido e dá pelo nome de The Cesarians.
O som desta banda navega nas ondas do cabaret e lembra-me imediatamente Belle Chase Hotel e também Tindersticks. Ouçam as canções deles e assistam aos concertos que os The Cesarians darão em Portugal nas próximas semanas: Lisboa (Musicbox, 14 Junho), Coimbra (Ar de Rato, 15 Junho) e Porto (Plano B, 16 Junho).

Sexta-feira, Junho 01, 2007

Cindy Kat - Miúdo

No Dia Mundial dos Putos, uma canção, com letra de JP Simões, que aborda a pedofilia.

Segunda-feira, Maio 07, 2007

Eles aí estão

Os Trabalhadores do Comércio estão de volta e hoje tocam na Fnac de Santa Catarina, às 18h30. A não perder.

Quinta-feira, Abril 26, 2007

Drumming + JP Simões = Zeca Afonso como nunca o ouvimos

A música de Zeca Afonso tem uma riqueza impressionante. Acabo de confirmá-lo. Assisti, na Casa da Música, à estreia do espectáculo montado pelo colectivo Drumming em homenagem ao autor de Venham Mais Cinco. Só uma música com enorme riqueza conseguiria sobreviver à releitura feita pela orquestra de percussão com a colaboração de JP Simões. E as composições de José Afonso não só resistiram como brilharam.
Todos os presentes, que lotaram a sala, tiveram o privilégio de testemunhar a versatilidade das canções do Zeca. De tal maneira que os músicos em palco, em permanentes exercícios de estilo bem conseguidos, constantemente alternavam entre o despojar das canções, deixando-as totalmente descarnadas, e a ornamentação dos temas, como sonoridades riquíssimas.
Os arranjos dotaram alguns dos verdadeiros hinos da música portuguesa, saídos da genialidade de José Afonso, de ritmos distintos entre si. Entre o épico-cinematográfico e o luso-samba - não só pela presença de JP Simões -, o trabalho de Zeca Afonso foi revisitado com muita qualidade. O colectivo teve o bom gosto e a ousadia de fugir ao óbvio. Sendo conhecidas as profundas ligações da música do Zeca aos sons africanos, seria fácil pegar nas percussões e empurrar as canções para África. O Drumming não o fez, o que me parece bem.
JP Simões, no papel de cantor convidado para interpretar os arranjos feitos por outros para temas de uma terceira personalidade, saiu-se bastante bem. Ouviram-se-lhe modulações de voz que ele, nas suas criações, não costuma usar. Ainda assim, foi uma canção dita, em jeito de spoken-word, Arcebispíada, que revelou a melhor execução da noite por parte de JP Simões. A ironia da letra, uma forte crítica à Igreja Católica, condiz com a personalidade do coninbricense. Talvez por isso, notou-se um à-vontade muito maior do que nas outras canções, vindo ao de cima uma teatralidade que reforçou a alfinetada da letra na Igreja.
Apesar de ser a estreia, o que indicia sempre uma possibilidade de crescimento da qualidade do entendimento entre os músicos, este espectáculo está já num patamar de grande nível.

E por falar em revisitações da obra do Zeca...

... Aconselho vivamente a audição das versões de Teresa Torga e de Vampiros.

Quinta-feira, Abril 19, 2007

Músicas de Abril na RTP2

A RTP2 oferece aos telespectadores um ciclo de concertos com cantautores ligados à história da música popular portuguesa. As transmissões coincidem com as comemorações do 33º aniversário do 25 de Abril e irão para o ar às 0h40, de segunda a sexta-feira da próxima semana.
O ciclo começa com José Afonso ao Vivo no Coliseu, prossegue com José Mário Branco no Coliseu de Lisboa, Sérgio Godinho de Volta ao Coliseu, concerto de Fausto Bordalo Dias e termina com Vitorino no Centro Cultural de Belém.
No dia 25 de Abril, às 15h00, o mesmo canal transmite a homenagem que músicos e poetas galegos fizeram a Zeca Afonso, que depois de morto passou a respeitado em Portugal, mas que, em vida, era muito mais admirado pelos galegos. No mesmo dia e quase à mesma hora - 15h30 -, o primeiro canal da RTP transmite outro programa dedicado ao Zeca.
Uma barrigada de boa música. É pena que seja tudo concentrado na semana do 25 de Abril. Significa isto que o 25 de Abril não se vive todos os dias na televisão e na sociedade portuguesa. É apenas uma efeméride, que se recorda uma vez por ano. É pena. Mas aproveitemos a música.

Maria de Medeiros e as minhas saudades do não vivido


A senhora que me fez chorar na sua estreia como realizadora de cinema, com Capitães de Abril, volta-se agora para a música. Maria de Medeiros gravou recentemente um disco de versões de música brasileira, entre as quais se inclui este Sentimental, de Chico Buarque. Parecendo coisas diferentes, o filme e o disco têm tudo em comum.
Li a entrevista da artista ao Ípsilon da semana passada. Tal como o filme, as palavras de Maria de Medeiros voltaram a confrontar-me com a saudade que tenho do que não vivi. A realizadora, actirz e cantora explica que a gravação deste disco tem muito a ver com as memórias da adolescência, vivida no pós-25 de Abril.
Na entrevista, Maria de Medeiros fala dos anos a seguir à revolução e da sua vivência numa família e num grupo de amigos da intelectualidade de Esquerda. É desse meio, que nunca foi o meu - quanto mais não fosse porque ainda não era nascido -, de que eu tenho saudades.

Sábado, Abril 07, 2007

Uma das melhores canções de sempre da música portuguesa


Se Por Acaso(Me Vires Por Aí)

Letra: JP Simões
Música: Pedro Renato
Vozes: JP Simões e Luanda Cozetti

Quarta-feira, Abril 04, 2007

Um senhor!

Aqui fica uma grande interpretação, de um grande senhor. Um senhor, aliás, que foi dos que mais gozo me deu entrevistar.

Domingo, Abril 01, 2007

O JP Simões da actualidade


Continuo a seguir a carreira do JP Simões e continuo a gostar muito de o fazer. O concerto de sábado à noite, em Santa Maria da Feira, foi muito agradável. Mas não consigo desligar-me de uma certa sensação de estranheza face a este novo JP Simões. É que não estamos perante o mesmo JP Simões dos Belle Chase Hotel nem sequer perante o mesmo do Quinteto Tati.
Nas anteriores bandas, o JP aparecia em palco de copo ou de lata de bebidas alcoólicas em punho e já vinha bem entornado. Agora é sóbrio. A fase das bebedeiras mascarava a timidez do artista e permitia que ele se transformasse num animal de palco. No entanto, quem estivesse atento e acompanhasse minimamente de perto a carreira de JP Simões percebia que a sua fragilidade andava por ali. Agora, sóbrio, o artista não disfarça as fragilidades: deixou de ser a personagem - no sentido pessoano, em que «o poeta finge tão completamente que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente» - para se mostrar tal e qual como é.
Ou seja, o conceito de espectáculo mudou radicalmente das anteriores encarnações artísticas de Simões para a actual. Na actualidade, JP Simões não precisa de "fingir" nem de desviar as atenções para o seu alterego de palco que, num magnífico jogo de espelhos interpretativo, não passava do próprio artista, aqui e ali deformado pelos tais espelhos. Aliás, nessas fases de bebedeira e de pseudo-borga, JP Simões, além de cantar e tocar, fazia verdadeiras sessões de psicanálise em palco. Quem o soubesse compreender, percebia perfeitamente que o artista estava ali completamente despido.
Hoje está mais despido ainda. Falando menos de si entre canções, conta-se em cada tema que interpreta. O "Eu" do artista é agora revelado ainda com mais precisão em cada letra que partilha com o público, mesmo quando vai beber as palavras a José Mário Branco e a Chico Buarque, como sucedeu nas duas versões tocadas em Santa Maria da Feira.

Tendo mudado o conceito do espectáculo, JP Simões apurou a sinceridade artística que sempre patenteou. Com isso, tornou-se hoje um artista ainda menos óbvio do que era no passado. E muito mais exposto. É dessa exposição acentuada, que se sente na forma como ataca cada palavra que canta ou diz, que vem a minha estranheza. Não é comum um artista revelar no seu trabalho tanto de si, mostrar tanta sinceridade na precisão das canções que escreve e compõe. E não é sem uma certa estranheza que se assiste a um show de strip tease emocional como aqueles com que JP Simões nos presenteia. Ainda por cima com a qualidade iniguálavel das suas letras e com o bom gosto desconcertante da sua música.
É por isso que, apesar de um certo desconforto por sentir-me a observar o íntimo de uma pessoa, neste caso o artista, é por isso que - ia dizendo - tenciono continuar a acompanhar de perto a carreira deste músico e poeta. A beleza da sua arte merece bem que o faça.
Em suma, um concerto muito catita o de Santa Maria da Feira!

Terça-feira, Março 20, 2007

Uma banda a nascer

A banda chama-se Mundo Cão e integra entre os seus cinco membros dois músicos dos Mão Morta, Miguel Pedro (bateria) e Vasco Vaz (guitarra) - os outros elementos são Pedro Laginha (voz), Budda (guitarra), Bruno Canoche (baixo). O disco de estreia é homónimo da banda e tem como adiantamento o single Morfina. O som não é dos mais originais, remetendo para várias referências, entre as quais Ornatos Violeta (sobretudo as vocalizações). Apesar disso, se as restantes canções foram como o single, a música da banda arrisca-se a ser tão viciante quanto a droga que dá nome ao tema de apresentação, dado que temos ali rock competente, servido com melodia e com palavras orelhudas. Aqui fica o teledisco de Morfina.

Domingo, Março 18, 2007

Uma colecção que vale a pena


A colecção 50 Anos de Música - O Melhor da Música Portuguesa, uma iniciativa conjunta do jornal Público, da EMI e da Valentim de Carvalho, teve neste fim-de-semana o seu lançamento, através da oferta de 3 CD juntamente com o periódico da Sonae.
Após uma primeira análise, não se pode dizer que estejamos perante uma colecção essencial. Mas, felizmente, também não me parece que seja apenas um produto de promoção do catálogo da EMI e da Valentim de Carvalho (entidades que se separaram nas últimas semanas). Se é claro que alguns nomes só integram a colectânea por motivos comercias da editora, também é certo que há muitos "doces" oferecidos aos ouvintes.
A maior oferta é a possibilidade de escutar algumas canções inéditas. Isso é notório no disco oferecido com o jornal de hoje. Entre as 13 faixas, sete são inéditas, correspondendo a álbuns que ainda não foram editados. É o caso das canções dos Da Weasel (Negócios Estrangeiros), de Paulo Praça (Jack, O Estripador), Maria João (A Outra, um original de Marcelo Camelo, dos Los Hermanos), de Jorge Cruz (Nada), de Jorge Palma (O Centro Comercial Fechou), de Lena D'Água (A Noite Passada, original de Sérgio Godinho) e de Ana Moura (Os Búzios).
O primeiro volume da colecção, completo com o CD de hoje, revela outra característica interessante desta edição: a mistura de estilos musicais, reveladora da imensa riqueza da música criada em Portugal. O espectro de cada uma das rodelas vai do fado ao hip hop, passando por muitos outros estilos e por dezenas de artistas.
O primeiro CD deste volume inicial é uma espécie de cronologia da relevância na História da Música Portuguesa. Ou seja, começa com Amália, referência desde a década de 1950, e acaba em JP Simões, a grande referência da música editada em 2007. Atente-se neste alinhamento e veja-se se, através dele, não se tem um vislumbre da evolução e da História da música nacional: Amália Rodrigues, Alfredo Marceneiro, José Afonso, Carlos Paredes, José Mário Branco, Sérgio Godinho, Rui Veloso, GNR, Madredeus, Clã, Da Weasel e JP Simões.
A nota mais negativa da colecção vai para o aspecto gráfico e para as caixas dos CD. As capas são feinhas e os arquivos de cada volume são umas inestéticas caixas plásticas que já não se usam na indústria discográfica.
Pesando prós e contras, estou decidido a coleccionar os 30 discos, semana após semana.

Sexta-feira, Março 16, 2007

O inesperado campeão de vendas

Uma colectânea com o nome do artista como título catapultou José Afonso para o primeiro lugar do top de vendas português. E esta semana é a segunda de enfiada em que o álbum encabeça a lista. Se não é inédito há-de estar lá perto. Merece o aplauso de todos os que gostam de música, porque é sempre bom ver Zeca Afonso à frente de coisas como os senhores Carreira, o André Sardet ou os 4 Taste.
A vantagem de se venderem cada vez menos discos é esta: é mais fácil haver surpresas. Quando os consumidores de música tinham de comprá-la, sobressaía sempre o gosto maioritário. Agora que grande parte da música consumida é roubada na internet, a tabela de vendas de discos, por vezes, é palco de supresas boas como esta do Zeca Afonso.

Sábado, Março 10, 2007

Uma colecção musical ou apenas um produto?


Quem me lê neste blogue sabe que distingo obra de arte de produto da indústria cultural. Só que há projectos que não se percebe, à primeira vista, em que categoria se enquadram. O que é mau sinal. Quando há dúvidas, o mais certo é estarmos perante mais um produto. Mas nem todos os produtos são maus e na "mistura" industrial a que são sujeitos, há uns que têm mais pós culturais e outros mais ingredientes mercantis.
O diário Público e a editora EMI vão lançar uma colecção que tem a prentensão de sistematizar nas rodelas de 30 discos compactos a História da música nacional, desde a década de 1950 até aos nossos dias. Sinceramente, parece-me que a iniciativa conjunta do Público e da EMI enquadra-se mais no sector dos produtos. No entanto, não tenho dúvidas em afirmar que se trata de uma colecção de objectos da indústria cultural com arte dentro.
Nos 30 CD e nas várias horas de gravação, encontraremos canções de nomes incontornáveis como Alfredo Marceneiro, Amália Rodrigues, Carlos Paredes, José Mário Branco, JP Simões ou Jorge Palma, mas colocar temas destes artistas no alinhamento do mesmo disco parece-me algo peculiar... para não usar um outro adjectivo, porventura, mais adequado mas menos simpático.
Apesar de tudo, como os primeiros 3 CD, a distribuir com o Público - de sexta a domingo da próxima semana -, são de borla, vou experimentar as sensações que me provocará esta colecção. Vou escutar as canções e vou ler os textos - de David Ferreira - que acompanham os diferentes volumes da colecção. Se vier a ficar surpreendido pela positiva, pode ser que pague os €3,90 que custará cada um dos CD nas semanas que se seguirão à oferta inicial.

Sexta-feira, Março 02, 2007

Texto no Ípsilon

Pequeno texto da autoria aqui do rapaz, publicado na edição de hoje do suplemento Ípsilon, do Público:

1970 tentativas far-se-iam. Nenhuma chegaria perto do resultado obtido por JP Simões: beleza em estado puro. A história abarca a avó do artista, Micamo, bamboleia-se com a mãe em Só Mais Um Samba e prossegue embalando o filho, Capitão Simão. É de afectos que se trata, mas também de crítica social ou não houvesse Inquietação no ar: Escute-se Retrato ou O Vestido Vermelho. Mais sóbrio do que nunca, JP mostra-nos Fábula Bêbada e revela não ser um Trovador Entrevado. E os desamores? Também temos: Lili & O Americano e Se Por Acaso. À laia de digestivo, o instrumental Werther encerra 1970.

Sexta-feira, Fevereiro 23, 2007

Zeca


Não serei hipócrita ao ponto de dizer que Zeca Afonso sempre foi dos meus artistas preferidos. Isso seria mentir descaradamente. Mas é verdade que um dos primeiros CD que comprei foi o que imortalizou em suporte digital o último concerto, no Coliseu dos Recreios, do autor dos Vampiros.
Se disser que Zeca Afonso é, provavelmente, o cantautor que menos aprecio se o comparar com os outros cantautores de referência - Sérgio Godinho, José Mário Branco e Fausto - estou a ser sincero. Mas não posso esquecer que se não fosse o Zeca e a modernidade que imprimiu à música nacional talvez os outros não surgissem com a pujança e com a qualidade com que nos brindam até hoje.
Portanto, a bem da memória histórica, hoje que passam 20 anos desde a morte de Zeca Afonso, aqui fica a minha homenagem, em forma de recordação do seu talento.

Domingo, Fevereiro 18, 2007

Belle Chase Hotel sem JP Simões não faz sentido

A edição electrónica da revista Blitz revela que os Belle Chase Hotel se preparam para regressar ao activo com um novo álbum de originais... mas sem o seu vocalista de sempre, JP Simões.
É uma daquelas notícias que deixam perplexos aqueles que olham para o mundo artístico com algum bom senso. Os Belle Chase Hotel sem o JP Simões seria o mesmo que os U2 decidirem prosseguir a carreira sem o Bono Vox ou que os Rolling Stones continuassem no activo sem o Mick Jagger. Ou seja, Belle Chase Hotel sem JP Simões não faz sentido.
É certo que a composição musical da banda de Coimbra sempre pertenceu a Pedro Renato, mas os Belle Chase Hotel eram muito mais do que a parte instrumental. Valim especialmente pela performance em palco, onde a postura de JP Simões era sinónimo de espectáculo puro e duro. Mas há mais: a música dos coninbricenses era muito agradável, mas nada do outro mundo; as letras, da lavra de JP Simões, é que faziam a diferença.
Na vida sem JP Simões, os Belle Chase Hotel prometem, para já, um disco de originais. É mau. Quando um morto tem um passado digno, devemos deixá-lo repousar. Tentar ressuscitar o morto, quase sempre, equivale a não respeitar a memória e, pior ainda, corresponde a dar cabo da boa memória deixada. Os Belle Chase Hotel sem as palavras do JP Simões não fazem sentido. As palavras, escritas para os discos anteriores, de JP Simões não fazem sentido senão pela sua voz.
Portanto, o regresso dos Belle Chase Hotel não faz sentido, mas compreende-se. Atentemos nas palavras do próprio JP Simões - sobretudo as que estão a negrito -, entrevistado por mim em 2005, para entendermos qual o fito (€) deste regresso:

M: Os Belle Chase Hotel ainda continuam por aí?
JP: Eles “andem aí, andem”! Estão numa situação muito pouco consistente, as coisas não andam nem desandam. Vão andando, vai-se tocando, temos um património muito simpático. Sempre que nos juntamos para tocar sabe bem, mas há muito que não fazemos nada juntos. É um pouco uma banda fantasma. Mas nunca se sabe. Por estranho que pareça, fizemos dez anos desde que a banda foi inventada e estamos a ter alguns concertos que estão a ser bons. A música não é de deitar fora e, depois de tocar, ficamos com a sensação de que podíamos fazer alguma coisa um dia destes. A questão está em aberto. É como quereres acabar com um amigo, chegares ao pé dele e dizeres: “Ó pá, a partir de hoje não falamos mais”. É difícil fazer isso, uma pessoa vai deixando andar, até ficar aguada, trôpega. Um dia destes resolve-se e acaba-se com aquilo... ou faz-se um disco novo [leva as mãos à cabeça]. Neste momento estou a trabalhar com uma data de pessoas hipertalentosas [Quinteto Tati] e com quem consigo comunicar, amigos. São as minhas pessoas e eu sou a pessoa deles, andamos para aí todos pessoanos, uns com os outros. Prefiro investir a minha energia no que possa surgir deste vínculo, mais do que estar a manter uma banda só por causa do statu quo já conseguido. Se fosse esperto tentava era ganhar dinheiro com isso, mas não sou.

Quinta-feira, Fevereiro 15, 2007

Leituras

A grande diferença entre um bom artista e um mau artista ou um mero produto de marketing é que as obras de um artista de calibre elevado não são coisas óbvias ou fáceis de apreender. Exigem, por norma, disponibilidade intelectual e temporal para serem analisadas, pois só com trabalho se consegue extrair tudo o que essas obras têm para nos dar.
É essa a sensação que tenho obtido da leitura de Retrovisor - Uma Biografia Musical de Sérgio Godinho, trabalho do jornalista Nuno Galopim. Este livro explora o percurso artístico de Sérgio Godinho, quase sempre em discurso directo, tendo Galopim "apenas" o trabalho de cerzir aquilo que Godinho entende partilhar com os leitores.
Os Godinhomaníacos, como eu, têm ali um prato suculento. Ficamos a saber como surgem as canções, o que pensava o autor a cada momento da sua carreira, que vivências pessoais, sociais e políticas estão na génese de cada um dos álbuns e das canções que os compõem. Deixo uma análise mais detalhada para quando chegar ao fim do volume, mas há algumas conclusões a que já cheguei.
A principal é a de que Sérgio Godinho não me desilude. O homem-artista e o artista-homem são uma e a mesma pessoa. Ou seja, há coerência estética e ética entre a obra e o seu criador. Segunda conclusão, analisadas as letras, verso a verso, percebe-se que nada ou muito pouco está ali ao acaso, e que o soar bem não se desliga do conteúdo e que este é transmitido apenas depois de muita «carpintaria». Há talento - a rodos - mas há também muito trabalho.
Por último, uma coisa é certa: este livro de Nuno Galopim é um instrumento preciosíssimo para usufruir em pleno da arte de Sérgio Godinho. Quando tiver tempo para ociar tudo quanto me é devido, hei-de instalar-me a escutar a obra de Sérgio Godinho, seguindo as coordenadas que o livro de Galopim indica. Só assim conseguiria extrair toda a riqueza do trabalho do nosso cantautor por excelência.

Sábado, Janeiro 27, 2007

Artistas dizem SIM

Terça-feira, Janeiro 23, 2007

JP Simões na Fnac de Coimbra



O som não é dos melhores, mas mesmo assim é um documento com importância.

Segunda-feira, Janeiro 22, 2007

Repórter Z

Ainda está em construção, mas já dá para ver como ficará o aspecto final. Refiro-me ao meu novo blogue, uma montra do meu trabalho jornalístico. Devo agradecer à Raquel pelo trabalho que permitiu que as digitalizações estejam legíveis e agradáveis à vista.

Sábado, Janeiro 20, 2007

O simples também é belo


1970, disco de estreia a solo de JP Simões, é uma obra complexa. Não se trata de um álbum que se entranhe de imediato e as primeiras impressões nem sempre são iguais às impressões resultantes de um contacto mais prolongado com as canções. Por exemplo, o sabor a Brasil dilui-se através de escutas mais atentas, surgindo aquilo que o artista já classificou de «luso-sambismo». Em estúdio, JP Simões apurou as canções, arranjando-as para vários instrumentos, fazendo uma sonoridade bela e complexa. A mesma que apresentou ao vivo em Dezembro, ainda que aí a banda denotasse falta de rodagem.
Agora, no pequeno périplo por três lojas Fnac, JP surge acompanhado apenas de Miguel Nogueira. Em palco, portanto, temos as guitarras de Simões e de Nogueira, a voz do cantautor e o coro do instrumentista, também membro do Quinteto Tati.

Portanto, estando eu rotinado na audição do álbum, fui hoje confrontado com um miniconcerto, na Fnac do Gaiashopping, em que o despojamento serviu de antítese às orquestrações do disco. Onde no álbum temos uma multiplicidade de sons e de pormenores para fruir, hoje no palco da Fnac tivemos as canções em carne viva, para não dizer em esqueleto. E o que se pode dizer é que, mesmo sem as roupagens bonitas e elegantes captadas em estúdio, as canções sobrevivem. E, em esqueleto ou em carne viva, como preferirem, continuam charmosas e belíssimas.

O arranjo minimal caiu bem nas cinco músicas de 1970 tocadas e no inédito Volto Já - sim, 1970 saiu há menos de uma semana, mas JP Simões já anda a apresentar o sucessor, 1638, segundo a ironia do autor. Tendo terminado com o inédito, o alinhamento contemplou Trovador Entrevado, Inquietação, 1970 (Retrato) - «Já tive de explicar muitas vezes, mas o tema explica-se sozinho. É uma brincadeira e uma provocação séria» -, Micamo e O Vestido Vermelho.

A sobriedade minimal deste formato de duas guitarras e voz casou lindamente com a postura séria que JP Simões agora apresenta, depois dos anos mais acelerados nos Belle Chase Hotel e no Quinteto Tati. Fui uma concerto curto, mas soube bem. Venham mais espectáculos, em versão portátil ou com banda completa. De preferência em ambos os modelos. Para irmos variando na degustação destas canções.

Terça-feira, Janeiro 16, 2007

Os discos da minha vida... hoje

A falta de espaço no armário em que guardo os meus CD obrigou-me a tomar uma decisão: deixar em cima da secretária os discos mais importantes para mim neste momento, de modo a estarem mais a jeito quando for a altura de introduzi-los na aparelhagem.
Então aqui fica a lista dos discos mais importantes da minha vida, versão "escolha desta manhã". A ordem é aquela por que os CD ficaram, de cima para baixo e aleatoriamente, organizados na pilha de discos aqui em frente a mim.

1970 - JP Simões
Exílio - Quinteto Tati
3 Pistas - Vários
Sexto Sentido - Sétima Legião
Ligação Directa - Sérgio Godinho
Norte - Jorge Palma
Popless - GNR
Uma Guitarra com Gente Dentro - Carlos Paredes
Ao Vivo no Rock Rendez Vous - Xutos & Pontapés
Zero - Zero
Fossanova - Belle Chase Hotel
The Best of - James
A Ópera Mágica do Cantor Maldito - Fausto
Por Este Rio Acima - Fausto
Lupa - Sérgio Godinho
Ser Solidário - José Mário Branco
O Melhor dos Peste & Sida - Peste & Sida
Cão - Ornatos Violeta
Play - Moby
Radio Bemba Sound System - Manu Chao
Bairro do Amor - Jorge Palma

Segunda-feira, Janeiro 15, 2007

Finalmente 1970!

Está desde hoje nas lojas o álbum de estreia a solo de JP Simões, 1970. Depois de um parto difícil, a obra está finalmente ao alcance dos melómanos. Recordo aqui em baixo aquela que foi a minha primeira impressão sobre o disco.

O muito aguardado 1970 é como que um recomeçar de carreira para JP Simões. O álbum transpira autenticidade. Do primeiro ao último acorde, da frase inicial à final, não passa despercebido que se trata de um disco arrancado bem no fundo de JP Simões e que resulta de um doloroso processo de amadurecimento pessoal.
Escutando-se as 11 faixas de 1970 percebe-se que o passado foi enterrado, no que respeita aos Belle Chase Hotel, e foi colocado em hibernação, no que concerne ao Quinteto Tati. 1970 não é apenas uma obra de JP Simões, é a impressão digital do cidadão João Paulo Simões, 36 anos, que, por acaso, é artista e, por isso, deixa a sua marca única sob a forma de uma obra de arte de uma beleza transbordante.
Uma audição despreocupada e algo desatenta deste disco leva a etiquetá-lo como um trabalho de uma doçura abrasileirada, muito devedor da influência de Chico Buarque. Mas essa é uma visão altamente redutora. Chico está lá, é omnipresente, mas está lá muito mais do que isso. Sobretudo está lá... JP Simões, provavelmente o melhor escritor de canções português depois de Sérgio Godinho.
Em 1970, JP Simões ajusta as contas que tem a ajustar com o seu passado e o da sociedade portuguesa. Feito o balanço, Gêpê não diz para onde vai, mas mostra intenção de ir para algum lado. Nota-se vontade de viver. Percebe-se que JP Simões ainda não sabe bem para onde ir, mas não se pode duvidar que quer ir.
Exílio, até ver o único disco do Quinteto Tati, era percorrido, de uma ponta à outra, por uma palavra, um fantasma poderosíssimo: solidão. Exílio revelou a mestria de Simões para transformar a dor em beleza. A dor não está ausente de 1970, são muitas as frustrações exorcizadas pela dezena de canções mais um instrumental. Só que a palavra "solidão" de Exílio deu lugar a outro fio-condutor: amor.
Pelo amor é que vamos, poderia bem ser o lema da estreia discográfica a solo de JP Simões. Só não se sabe para onde vamos. Mas esta aventura tem de ir dar a algum lado.

Canção a canção:

Fábula Bêbada: O álbum arranca desde logo dizendo ao que vem: o que é o amor? É esta a pergunta suscitada pela faixa de abertura. A resposta é complexa. JP Simões serve-se de um belíssimo jogo de palavras para explicar que o amor é complexo e difícil de alcançar, se é que algum dia se alcança. «Só quem saltasse o grande muro poderia ver no escuro o puro amor», canta JP, que, no decorrer do texto, complexifica ainda mais a questão. Musicalmente, além de um coro suave, destaca-se uma competente e omnipresente percussão, que arrasta a canção do chorinho para o samba.

1970 (Retrato): O subtítulo desta canção explicita perfeitamente o conteúdo da composição: estamos perante o retrato da geração de JP Simões, traçado com uma precisão cirúrgica. Remete-nos para FMI, de José Mário Branco. Onde o cantor de intervenção destilava raiva, JP Simões apresenta resignação. Mas a dor é a mesma. Uma dor revoltada, de quem vê que os seus perderam oportunidades sobre oportunidades de mudar o mundo para melhor. Zé Mário falava-nos, por vezes gritava em choro convulso, da revolução traída. JP Simões também aponta o dedo: à sua geração, que desvaloriza os sentimentos - «A minha geração ironizou o coração» -; à chico-espertice reinante - «Esqueceu tudo e fez-se à vida na cegueira do comércio». Mas JP Simões ainda vislumbra uma esperança, embora muito pouco esperançosa: «Poderá uma pobre criação contribuir para a tua regeneração ou só te resta morrer desintegrada?», pergunta à geração a que pertence.
O belíssimo texto é servido pela suavidade musical, adocicada por um piano levemente bamboleante.

Vestido Vermelho: É o que sobra dos Belle Chase Hotel. Esta canção, com a designação O Golo, faz parte do repertório da banda que fez furor no final da década passada. Talvez não por acaso é dos momentos menos bem conseguidos de 1970. Ainda assim, é uma canção ternurenta sobre a falta de amor sentido por algumas mulheres, cujos companheiros não são tão presentes quanto o necessário. JP Simões serve-se da metáfora do futebol para falar no afastamento entre homens e mulheres. A faixa vale muito pelos cuidadosos arranjos e pela doçura emprestada por JP à voz. O coro transmite beleza.

Só Mais um Samba: Foi escolhido para primeiro single. Trata-se do momento mais brasileiro de todo um disco em que o país sul-americano é um residente sempre presente. É uma canção dedicada à mãe do artista, pelo que o carinho é a nota dominante, num tema em que os coros são poderosos. «Quero ver-te sem tristeza, como quando eras nobreza no país do carnaval, põe a máscara do samba e vem dançar», canta JP para a mãe.

Inquietação: Original de José Mário Branco ao qual JP Simões cola uma fina elegância, a um tempo despojada e cuidada. Sendo este um disco de corte com um passado pessoal do artista e de abertura para um futuro, cujos contornos ainda não são nítidos, a canção de Zé Mário pode bem ser vista como o ponto de partida. Em poucas linhas, o cantor de intervenção resume o que se passa com Simões: «Cá dentro inquietação, inquietação, é só inquietação, inquietação. Porquê não sei, porquê não sei, porquê não sei ainda. Mas sei é que essa coisa é que é linda».

Lili & o Americano: A sexta faixa, com pezinhos de lã, de forma subreptícia e com alguma dose de ingenuidade, é um manifesto pacifista. JP Simões questiona se a guera não será uma pulsão de quem tem falta de afecto. O artista recorre a uma personagem feminina para exorcizar as dores masculinas. «Porém há tanto homem infeliz que necessita de muita atenção. Depois confunde tudo o que se diz e vai embriagar-se por qualquer razão», canta Lili, pela voz de JP, para acrescentar: «Eu não sei de onde sai tanta gente a precisar de um coração».

Micamo: Uma das melodias mais belas de todo o álbum casa na perfeição com a singeleza das palavras de veludo da letra. «No tempo das crianças não se pode chorar, nada e ninguém é infeliz, tudo é giz a desenhar cidades», canta JP Simões como que a estender a passadeira vermelha para a canção que se segue.

Capitão Simão: Apesar do título, esta música não foi inspirada pelo futebolista do Benfica. Longe disso. É dedicada ao pequeno filho, menos de 4 anos, de JP Simões. «Quem pôs um doce na minha canção?». Pois é, foi a criança. Porventura a inspiração maior do artista: «Lá vem Simão, capitão da embarcação. Olha que o amor ainda tem salvação». A ternura do pai babado, sem nunca deixar a baba tolher-lhe o talento, conjuga-se nesta canção com um arranjo de cordas delicioso.

O Trovador Entrevado: «O trovador é uma espécie em extinção quando se extinguir o amor». Aqui ouve-se o Brasil. Ouve-se a bossa nova, de Jobim a Chico. Não é coincidência. Da mesma forma que a ironia social destilada não surge por acaso e sempre coberta pelo amor. Também nesta faixa, JP Simões demonstra que está longe de ser um cantautor entrevado. É um trovador sincero, competente e talentoso. Por vezes, foge-lhe a veia para a mordacidade. E faz bem: «De tanto sanatório e prisão, lavagem cerebral e televisão, o trovador dedicou-se muito a deus, que era o nome de seu cão». Como termina esta história? Assim: «Ficou o cão a ladrar aos camiões».

Se Por Acaso (me vires por aí): Com música e arranjo de Pedro Renato, o compositor dos Belle Chase Hotel, JP Simões tem nesta canção o momento mais violento de todo o disco. Mais do que uma música de desamor, estamos perante um caso de ex-amor. O que faz toda a diferença. Porque o ex-amor pode ser ódio ou indiferença. Aqui soa a indiferença como estratégia de defesa. Um texto que arrepia e acorda fantasmas a quem os tenha. É daquelas obras geniais que penetram bem fundo em cada um de nós e cujos efeitos podem ser díspares: ou mata os fantasmas ou enlouquece de vez. A beleza da violência deste ex-amor é brutal. «Se eu por acaso te vir por aí, passo sem sequer te ver. Naturalmente que já te esqueci, tenho mais que fazer. Quero que saibas que cago no amor. Acho que fui sempre assim». Avassalador! Preciosa a participação da brasileira Luanda Cozzetti, num dueto magnífico.

Werther: Instrumental de encerramento de 1970. Mesmo sem palavras, está tudo naquele piano irritado: desassossego, dor, moleza, resignação, desespero. É a vida, poderia chamar-se a música.

Domingo, Janeiro 14, 2007

O jornalismo que temos

A imprensa portuguesa vive dias maus. As redacções estão depauperadas de qualidade. Grandes jornalistas foram atirados borda fora, outros continuam no jornalismo, mas estão sobrecarregados de trabalho. O resultado disto tudo é um jornalismo de baixo valor acrescentado, peças repletas de lugares comuns, textos de mau português, caricaturas em vez de perfis bem construídos, críticas de vistas curtas e inspiração momentânea.
Esta é a realidade em todas as áreas, mas tudo isso é particularmente notório no jornalismo cultural. Na secção política, por exemplo, a atenção tem de ser redobrada porque os actores políticos têm peso e influência. Nas artes, porque se trata de uma área subjectiva por natureza, os cuidados são menores e a colheita de lugares comuns, caricaturas mal feitas e de traço grosso - para não dizer grosseiro - são o pão nosso de cada dia.
Vem isto a propósito de grande parte dos textos que tenho lido sobre JP Simões e 1970. Os casos mais paradigmáticos, contudo, são dois, até pelos pergaminhos dos órgãos de comunicação social em que as prosas foram publicadas. Refiro-me aos trabalhos dados à estampa pelos suplementos culturais do Expresso e do Diário de Notícias.
Alexandre Costa, do Expresso, começa o texto com uma análise enviesada em com um erro de facto: «Depois dos Belle Chase Hotel e da curtíssima existência do Quinteto Tati, o escritor de canções e artista boémio JP Simões...». O erro é que o Quinteto Tati não está dado como extinto. A análise retorcida é a caricaturização feita a JP Simões. Artista boémio será o João Braga ou o Nuno da Câmara Pereira. JP Simões é um artista com uma grande inquietação existencialista, que, em dada fase da sua vida, se terá traduzido em consumos etílicos de elevado volume, com as consequências que daí advieram, sobretudo uma certa aura de animador de massas. Fazer disto o centro do retrato do artista é não perceber nada do universo intrínseco de JP Simões.
Mas o pior mesmo é a crítica ao disco, escrita por Jorge Lima Alves, no mesmo suplemento. Depois de arrancar grandes elogios ao trabalho de JP Simões e ao talento do artista, diz que a voz de Simões é o seu ponto fraco e acrescenta isto, que eu acho um atentado à inteligência dos leitores: «Fica a dúvida se, pelo menos em algumas canções, JP Simões não deveria fazer como Rodrigo Leão (que, em larga medida, navega nas mesmas águas musicais) e convidar boas vozes para as interpretar». Primeiro: que águas turvas anda a consumir o crítico para ver tantas similitudes entre Leão e Simões? Segundo: Rodrigo Leão é um compositor musical, JP Simões é um cantautor. Um compositor compõe e interpreta ou não, consoante a decisão a cada momento. Um cantautor canta aquilo que escreve e compõe. Terceiro: Terá o crítico a veleidade de convidar a dar a cantar a outros as canções escritas por essas grandes vozes que são as do Jorge Palma, do José Mário Branco, do Bob Dylan ou do Tom Waits?
Quanto à prosa do Diário de Notícias, sofre do mal maior do que tem sido a análise ao trabalho a solo de JP Simões: alinha pela caricatura e não pela crítica certeira ao confundir influência com cópia. O articulista, Davide Pinheiro, também opta por catalogar JP Simões como «boémio», o que, como já disse, não é correcto. O mais gravoso não está no texto da entrevista, mas na crítica ao disco. O autor de 1970 é tratado como um copista de Chico Buarque e o jornalista, partindo dessa premissa, incapaz de ver nas 11 faixas do álbum o cunho pessoalíssimo de JP Simões, tem a veleidade de perguntar, elogiando a versão de Inquietação, original de José Mário Branco, se valeu a pena ao conimbricense viver um sonho Música Popular Brasileira em 10 das 11 faixas do disco.
Lamentável, mas compreensível, devido às condicionantes que descrevi nos primeiros parágrafos. É este o jornalismo que temos.

Sábado, Dezembro 30, 2006

Melhores álbuns nacionais 2006 - Blitz + DN + Expresso + Público

1º Ligação Directa - Sérgio Godinho, 23 pontos
2º Vol. II Quando a Alma Não é Pequena - Dead Combo, 19 pontos
3º Pratica(mente) - Sam The Kid, 19 pontos
4º Sátiro - Gaiteiros de Lisboa, 17 pontos
5º From Buraka to The World - Buraka Som Sistema, 17 pontos
6º Masquerade - Legendary Tiger Man, 15 pontos
7º Believer - Carlos Bica, 12 pontos
8º Enforce The Funk - Double D Force, 10 pontos
9º Teatro - Rodrigo Amado/Kent Kessler/Paal Nilssen-Love, 10 pontos
10º Live - Cristina Branco, 9 pontos

Metodologia: Escolheram-se as classificações das quatro publicações de referência em termos musicais. Aos dez primeiros de cada classificação atribuíram-se pontos (10 ao primeiro, 9 ao segundo, etc.). A soma dos pontos conquistados no conjunto dos quatro periódicos deu o resultado que aqui se reproduz, com o pódio a ser formado pelos trabalhos de Sérgio Godinho, Dead Combo e Sam The Kid. Os desempates fizeram-se tendo em conta os álbuns que foram nomeados por mais publicações. Sátiro, dos Gaiteiros de Lisboa, foi o único disco incluído entre a selecção de todos os jornais.

Melhores álbuns nacionais 2006 - Expresso

1º Teatro - Rodrigo Amado/Kent Kessler/Paal Nilssen-Love
2º Live - Cristina Branco
3º Enforce The Funk - Double D Force
4º Ode To Chet - Laurent Filipe
5º This Life - Mário Franco Quintet + David Binney
6º Sátiro - Gaiteiros de Lisboa
7º Ligação Directa - Sérgio Godinho
8º RIMA - Samuel Jerónimo
9º Canções e Fugas - Mário Laginha
10º The Tone Gardens - Sei Miguel

Sexta-feira, Dezembro 29, 2006

Melhores álbuns nacionais 2006 - Blitz

1º Ligação Directa - Sérgio Godinho
2º Masquerade - Legendary Tiger Man
3º Vol II - Quando a Alma Não É Pequena - Dead Combo
4º From Buraka To The World - Buraka Som Sistema
5º Believer - Carlos Bica
6º Luna Dance - Bunnyranch
7º Resistentes - Nigga Poison
8º Memorial - Moonspell
9º Cool Hipnoise - Cool Hipnoise
10º Sátiro - Gaiteiros de Lisboa

Melhores álbuns nacionais 2006 - Público

1º Vol. II Quando a Alma Não é Pequena - Dead Combo
2º Pratica(mente) - Sam The Kid
3º From Buraka to The World - Buraka Som Sistema
4º Sátiro - Gaiteiros de Lisboa
5º Masquerade - Legendary Tiger Man
6º Space - Rafael Toral
7º Other Goat Head - Loosers
8º Luna Dance - Bunnyranch
9º Enforce The Funk - Double D Force
10º Fala Mongue - Munchen

A redacção do suplemento Y - responsável por esta listagem - considerou 1970, de JP Simões, «o melhor álbum de 2006 não editado em 2006».